Com escultura de Franklin, c. 1964
Cortesia de Isabel Alves
Com escultura de Franklin, c. 1964
Cortesia de Isabel Alves

Ernesto de Sousa

Ernesto de Sousa (Lisboa, 1921–1998) foi um dos artistas multidiscipilnares mais ativos do seu tempo.

Na década de 1960, contactou com o movimento Fluxus e as neo-vanguardas europeias, travando amizade com Robert Filliou e Wolf Vostell. Essa influência foi determinante na reformulação da arte como «obra aberta», experimental e participativa, sendo disso exemplos o exercício teatral Nós Não Estamos Algures (1969), o filme expandido Almada, Um Nome de Guerra (1969-1972) e o “mixed-media” Luíz Vaz 73.

Até à década de 1980, organizou cursos, conferências e exposições sobre filme experimental, vídeo-arte, performance e happenings.

Ao propor a celebração do Aniversário da Arte, no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, em 1974, antecipou a Revolução dos Cravos e contrariou a posição periférica de Portugal na Europa. A exposição Alternativa Zero, na Galeria Nacional de Arte Moderna de Lisboa, em 1977, sintetizou o seu projeto de criação de uma vanguarda portuguesa.

A partir da década de 1940, publicou em várias revistas e jornais. O movimento cineclubista, do qual foi fundador, contribuiu para a eclosão do «Novo Cinema» anunciado pela longa-metragem Dom Roberto (1962), distinguida com dois prémios no Festival de Cannes, em 1963.

Foi comissário da representação portuguesa na Bienal de Veneza em 1980, 1982 e 1984.

Foram-lhe dedicadas as exposições retrospetivas Itinerários, organizada em 1987 pela Secretaria de Estado da Cultura, e Revolution My Body, em 1998, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Em 1997, a Fundação de Serralves apresentou uma reposição da Alternativa Zero e, em 2012, uma reinterpretação de Almada, Um Nome de Guerra e Nós Não Estamos Algures.

Em 2014, o Centro Internacional de Artes José de Guimarães organizou a exposição Ernesto de Sousa e a Arte Popular – Em torno da exposição Barristas e Imaginários.

http://www.ernestodesousa.com