© Ernesto de Sousa
Cortesia de Isabel Alves

Franklin Vilas Boas

«Franklim nasceu em 1919, em Esposende, onde morou, e morreu, num acidente, em Abril de 1968. Era casado e tinha vários filhos, vivendo todos em precárias condições financeiras. Pertencia a uma tradicional família de canteiros: dois irmãos, e actualmente um dos sobrinhos, têm oficina própria. Quando o conhecemos, em Maio de 1964, Franklim, praticamente desconhecido para lá de seu meio, era muito pouco considerado pelos familiares, por se recusar “a trabalhar a pedra”. Era engraxador (e até isso tem importância, ao estudarmos o “acabado” das suas obras em madeira), e justificava a sua recusa de trabalhar a pedra com doenças e dores físicas. Verifiquei depois que tinha uma verdadeira antipatia, inclusive física, pela pedra; e que, pelo contrário, tratava ou referia-se à madeira com ternura e inteligência. As madeiras tinham “cadência” (ritmo, disposição) e significado. Por outro lado, o trabalho do canteiro obriga à instalação ou manutenção de uma oficina, e a um mínimo de organização – do que ele era inteiramente incapaz. Trabalhar a pedra constitui, enfim, um ofício, e trabalhar a madeira – do ponto de vista social (sociedade determinada) – uma extravagância. (Agora, depois de um certo êxito comercial que tiveram as peças de Franklin, os Quintinos, santeiros e pedreiros, também procuram a madeira como material possível). Quando conheci este verdadeiro "outsider", ele possuía uma única ferramenta, e utilizava um formão emprestado. Só trabalhava quando encontrava madeira; as raras encomendas, todas locais, eram, em geral, pagas com géneros.»

(Excerto do texto de Ernesto de Sousa editado na revista Colóquio: Revista de Artes e Letras, n.º 61. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, dezembro de 1970.)

https://mnetnologia.wordpress.com/exposicao_permanente/2-exposicao-permanente-franklim-vilas-boas-com-o-olhar-de-ernesto-de-sousa/

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