Fernanda Fragateiro

O trabalho de Fernanda Fragateiro tem vindo a debruçar-se simultaneamente nas questões do espaço e da relação com a arquitetura, e na possibilidade de estabelecer, através da prática artística, noções de relação comunitária. Com uma particular atenção à arquitetura moderna, Fragateiro desenvolve estruturas que dialogam com o espaço, convertendo-o em lugar carregado histórica, crítica e afetivamente.

A obra que apresenta em Coimbra consiste numa intervenção no espaço utilizando uma superfície espelhada que acompanha um  rasgo no chão da sala. Replicando o espaço, a artista constrói um poderoso interruptor que transforma a nossa perceção, quer fazendo nos reparar na arquitetura e na escala do espaço — com todas as implicações que traz a nível da consciência corporal do espectador —, quer pela enorme discrição com que a intervenção no espaço é pensada. Em torno da peça de chão, um conjunto de esculturas (de facto, fragmentos de arquiteturas demolidas), assentes sobre bancos de estirador desenhados por Álvaro Siza Vieira, propõe o desenvolvimento de um imaginário arquitetónico que será, também, objeto de um seminário com estudantes de arquitetura.

 

"Duplo Negativo", 2017 Espelho, MDF, fragmentos de alvenaria provenientes de demolição, Banco de Estirador B, Álvaro Siza. Fotografia de Vitor Garcia

“Duplo Negativo”, 2017
Espelho, MDF, fragmentos de alvenaria provenientes de demolição, Banco de Estirador B, Álvaro Siza.
Fotografia de Vitor Garcia