Henrique Pavão

Com um trabalho centrado em questões de memória e temporalidade, o percurso ainda necessariamente curto de Henrique Pavão espelha um interesse e recurso à arqueologia dos movimentos conceptuais, a que se liga um uso sofisticado de processos sensíveis. A sua obra circula por inúmeros suportes (a escultura, o filme, a fotografia ou o som), frequentemente com uma preocupação pelos próprios processos e mecanismos de cada medium, tomados como a marca da sua temporalidade ou mesmo da sua história. A obra que desenvolveu para a bienal parte do reencontro do artista com a janela de uma casa onde residiu em criança. As 36 imagens da janela — convertida em campo de expectativas em relação ao futuro e agora memória dessas possibilidades — são parcialmente obliteradas pela intromissão de uma pedra de obsidiana, um monólito que atua como ação irremediável do presente.

Absence Reminders, 2016 Prova impressa a jato de tinta sobre papel, obsidiana, ferro (36×) 20 × 27 cm Vista da instalação, ‘Edstrandska Stiftelsens 2016’ KHM Gallery, Malmö Cortesia do artista

Absence Reminders, 2016
Prova impressa a jato de tinta sobre papel, obsidiana, ferro
(36×) 20 × 27 cm
Vista da instalação, ‘Edstrandska Stiftelsens 2016’ KHM Gallery, Malmö
Cortesia do artista