João Onofre

João Onofre tem dividido o seu trabalho pela utilização do vídeo — tipologia pela qual é mais conhecido —, do som, da performance e do desenho. Com uma obra sistematicamente tomada por uma reflexão sobre a circularidade do tempo e a finitude, Onofre usa amiúde referências à arte conceptual, reapropriada e recontextualizada. O som possui sempre uma enorme importância no trabalho videográfico de Onofre, constituindo a métrica da sua temporalidade ou da sua circularidade. Recentemente, o artista tem vindo a desenvolver trabalhos sonoros, alguns com um poderoso caráter musical, muitas vezes em colaboração com compositores. É o caso da obra que apresentou, em 2017, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa, que ativava um mecanismo de percussão movido a energia solar nas Caldeiras da Central Tejo. Para a bienal, Onofre concebeu a peça Untitled (bells tuned D.E.A.D), que consiste no tocar específico das notas Ré, Mi, Lá, Ré nos carrilhões de três igrejas de Coimbra, além da Torre da Universidade. Os sinos tocam ao mesmo tempo coordenadamente, espalhando a composição musical numa das zonas centrais da cidade. Trata-se de uma obra de arte pública sonora, de caráter abstrato e performativo — onde eventualmente o espectador mais interessado procurará saber a razão do soar dos sinos a horas não-convencionais da celebração religiosa. A obra faz referência a uma peça do artista norte-americano Bruce Nauman.

Untitled (bells tuned D.E.A.D), 2017 Composição espacializada para 4 torres sineiras em Coimbra c.13’00’’ Cortesia do artista, Anozero e Cristina Guerra Contemporary Art

Untitled (bells tuned D.E.A.D), 2017
Composição espacializada para 4 torres sineiras em Coimbra
c.13’00’’
Cortesia do artista, Anozero e Cristina Guerra Contemporary Art

4 Torres Sineiras entre a Alta e a Baixa de Coimbra
11 nov – 30 dez
Ter–dom, às 10 h e às 18 h