Kader Attia

Artista franco-argelino, Kader Attia tem vindo a desenvolver o seu percurso a partir de dois eixos de investigação: por um lado, um interesse pelos processos de reparação, de recomposição e de arranjo, quer dos corpos, quer dos artefactos, que resulta, através de procedimentos híbridos, em objetos mestiços que requerem uma antropologia própria. Por outro lado – e consequentemente –, a partir da forma como o modernismo atravessou o continente africano, procurando os processos de mútua apropriação cultural entre colonizador e colonizado e perseguindo as feridas abertas deste processo. Na bienal, Kader Attia apresenta uma obra em duas partes: um conjunto de imagens projetadas e um filme. A obra faz um inventário das obras subtraídas pelos missionários em África e transportadas para o Museu do Vaticano. O imenso conjunto é sintomático do processo de desenraizamento da memória cultural dos povos africanos pela deslocalização de objetos que perderam o seu poder simbólico.

 

Dispossession, 2013
Instalação. Dupla projeção de slides, projeção de slides única, 13’00’’ e vídeo, 6’43’’; cor, som.
Fotografia de Jorge das Neves