Paloma Bosquê

Paloma Bosquê trabalha essencialmente sobre a matéria. Nas suas obras nota-se uma relação intrínseca com a corporeidade das formas e um interesse sincero pelos materiais, na sua vertente mais física e concreta, explorando limites e capacidades em obras que transparecem leveza e sincronismo com o ambiente que as rodeia. O seu processo artístico constrói-se a partir desse interesse na matéria-prima e na sua fisicalidade, que se desenvolve para a relação entre várias matérias e, por sua vez, a relação destas com o espaço, com as proporções humanas, dimensões e peso. Em trabalhos orgânicos e fluidos, Bosquê testa pontos de encaixe e equilíbrio de diferentes corpos. Os títulos que dá aos seus trabalhos seguem a mesma linha de pensamento, através dos quais atribui, por vezes, uma carga simbólica e/ou orgânica que parece conectar a sua obra com a natureza ou com o meio envolvente, e com as forças opostas que a compõem. Na Sala da Cidade é apresentado um novo trabalho da artista. Sendo uma obra onde a perceção dos materiais e o limite da escultura/instalação são postos em diálogo, Campo é composto por duas cortinas de tripa de boi que caem do teto frente a frente e quase a tocar num chão feito de 40 placas uniformes de cera de abelha.

Campo, 2012-2017 40 placas de cera de abelha, 2 “cortinas” de tripas de boi e suportes de latão 500 × 512 × 270 cm Cortesia da artista e Mendes Wood DM

Campo, 2012-2017
40 placas de cera de abelha, 2 “cortinas” de tripas de boi e suportes de latão
500 × 512 × 270 cm
Cortesia da artista e Mendes Wood DM