Rubens Mano

Rubens Mano desenvolve, desde a década de 1980, um trabalho que deriva de uma abordagem conceptual da fotografia. Ao longo do tempo, as relações da imagem com a especificidade do lugar, as tensões políticas que se jogam na arquitetura, a função autoral e o seu apagamento constituem as matérias com que trabalha.

A obra que realizou especificamente para a bienal partiu da situação peculiar com que se deparou no espaço do próprio Mosteiro de Santa Clara-a-Nova: numa das salas anteriormente afetas a equipamento militar, encontravam-se cinco automóveis pertencentes à Universidade de Coimbra e aí confiados à guarda militar. Como fósseis preservados de um passado de dolorosa memória, os automóveis estavam ligados à história dos seus anteriores proprietários.

A leitura que Rubens Mano realizou desse espólio, a sua justaposição a uma banda sonora que materializa a memória da ditadura brasileira e a subtil operação de alagar o espaço da garagem configuram uma reflexão sobre a memória coletiva e a decadência política de um regime.

c o n f i n s d e m e m ó r i a, 2017 Instalação, metal, água, som, luz. Fotografia Vitor Garcia

c o n f i n s d e m e m ó r i a, 2017 Instalação, metal, água, som, luz.
Fotografia Vitor Garcia