William Kentridge

Artista sul-africano que tem cruzado no seu percurso desenho, animação, filme, escultura e teatro, William Kentridge é uma das mais fascinantes personalidades do mundo da arte atual. Produzindo uma enorme reflexão sobre os processos ficcionais da poética artística, os mecanismos de representação, mas também a condição social e política do mundo, o trabalho de William Kentridge oscila entre o caráter íntimo e até pessoal de muitas obras, o uso da autorrepresentação, a citação ao cinema de Méliès e a monumentalidade crítica de alguns projetos fílmicos e escultóricos.

More Sweetly Play the Dance, a obra apresentada na bienal, é uma parada, um processo processional que conta a história de África a partir de figuras — como que sombras chinesas a desfilar ao som de uma fanfarra. Trata-se de uma obra quase operática, com um caráter narrativo e cíclico que tanto remete para a história da arte como para os movimentos migratórios contemporâneos, tanto recolhe imagens das ruas de África do Sul como (nas suas próprias palavras) dos Balcãs ou dos movimentos das populações depois da Segunda Guerra Mundial.

 

 

More Sweetly Play the Dance, 2015 Instalação-vídeo HD 8 canais com quatro megafones, som, 15’00’’ (loop). Cortesia do artista e Marian Goodman Gallery, Londres. Fotografia de Vitor Garcia

More Sweetly Play the Dance, 2015 Instalação-vídeo HD 8 canais com quatro megafones, som, 15’00’’ (loop).
Cortesia do artista e Marian Goodman Gallery, Londres.
Fotografia de Vitor Garcia